Depois de ter convidado para jantar um poema, volta a 11ª edição do Convidei para Jantar que está muito bem albergado no blog Panela sem (De) pressão e que tem como impulsor o blog Anasbageri.
Para esta edição temos que convidar um Pintor. E pensei.... Quem é que eu vou convidar para este jantar? Tu pensa bem se há algum quadro que te tenha marcado de alguma maneira.
Andei uns dias a matutar em quem poderia convidar e se vos digo a verdade, estive bem dividida.
Ao fim de muito pensar, convidei Picasso para jantar. Um convidado de pompa e circunstancia e mais ainda o quadro que me marcou.
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| Reprodução de um mural na cidade de Guernica ( Imagem retirada da Wikipédia) |
Este quadro foi pintado por Picasso em 1937, depois de a cidade basca de Guernica, ter sido terrivelmente bombardeada pelas tropas alemãs.
Na altura em que andava no liceu, tinha eu os meus 14 anos, nas aulas de História estudámos a 2ª Guerra Mundia, os regimes fascistas da altura, e lembro-me que quando se falou do franquismo, havia uma imagem deste quadro. Parece que ainda me lembro das palavras da minha professora enquanto nos explicava o porque deste quadro. Transmitiu-me tanta pena e tanto sofrimento que na altura me fizeram saltar as lágrimas.
Porque me fez chorar? Porque na minha idade do armário, apesar de ter feito muitas tonterias, era uma adolescente com sentimentos e à minima coisa, chorava! E só de pensar que havia gente com poder de destruir uma cidade.... aquilo deixava-me de rastros.
Este quadro foi feito com o objectivo de passar para os que vissem, o que ele estava sentindo, um vazio enorme por dentro de si, um conflito, uma guerra consigo mesmo buscando resposta para a sua vida amorosa, e de todas as vezes que via aquele quadro, pensava consigo mesmo, será que o meu problema é maior do que essa guerra, ou tem mais importância para os outros, e naquele momento ele conseguia esquecer. O que demonstra uma grande preocupação por parte do pintor.
Depois de tudo isto é preciso recompor a alma. E desta vez não trago nenhum docinho, mas sim um salmão!
Salmão Gratinado
Ingredientes:
- 2 postas grandes de salmão ( não tinha lombos)
- 1 cebola cortada em rodelas fininhas
- 1 alho francês cortado em rodelas fininhas
- Batatas em quadradinhos para fritar
- 200 ml de nata
- Sal, pimenta, noz moscada q.b.
- Azeite q.b.
Execução
Cortamos a cebola e o alho francês em rodelas finas e colocamos numa frigideira com azeite. Deixamos que refogue bem.
Entretanto pomos as batatas a fritar e partimos o salmão em cubos não muito grandes. Se usarem os lombos em vez de postas o trabalho será mais fácil.
Quando a cebola e o alho estiverem tenrinhos, adicionamos os cubos de salmão. Temperamos com sal e pimenta e deixamos que cozinhem um pouco. Adicionamos de seguida as natas e deixamos que engrossem um pouco, mas não em demasiada porque vai ao forno.
Colocamos noz moscada ralada no momento e rectificam-se temperos. Retiramos do lume.
Colocamos as batatas fritas num pirex ou num recipiente que possa ir ao forno e por cima colocamos o salmão.
Levamos ao forno o tempo suficiente que gratine um pouco. Retiramos e servimos.
Não é muito light este salmão, mas para receber a tão ilustre convidado, foi uma verdadeira delícia. E além do mais, cá por casa não é muito normal fazer este tipo de coisas, por isso uma coisa compensa a outra.
O salmão apesar de ter ido ao forno ficou no seu ponto, perfeito para o meu gosto. As natas ajudaram a aveludar o molho que adquiriu todos os sabores da cebola, do alho francês e do salmão.
Os fios dourados que enfeitam o prato não é ouro líquido, mas sim crema balsâmica de manga que contrasta na perfeição.
Aparte do Picasso, vocês também são ilustres convidados! Quantos pratos ponho a mais?





