sexta-feira, 10 de abril de 2015

Supostamente "sticky"


Já não sei há quantos dias publiquei a última receita, mas lembro-me que foi o Monkey. E também sei que foram as duas feitas no mesmo dia, e que em menos de nada os pratos ficaram vazios.


E com a promessa a mim mesma de não me meter na cozinha com receitas tão demoradas, para um só dia de folga. É um desgaste físico muito grande e a idade já não perdoa! (risos)


É óbvio que estou a brincar e se há coisa que eu gosto é de me meter em aventuras, mas há dias em que passo o limite.

A receita de hoje é a escolhida para esta quinzena do Dorie às Sextas, e como é uma receita demorada havia que ter tempo e eu aproveitei.

A massa de brioche usada já passei por este blog sobre a forma de caracóis. E só de me lembrar do resultado, assim que vi a nova receita não me resisti. O conjunto de ingredientes era do meu agrado, à excepção do mel para a cobertura. Ainda assim meti as maozinhas na massa e para não variar, enganei-me na execução da receita. Mas aqui entre nós, ainda bem que me enganei, porque a Dorie, cá para mim, tem um acordo com alguma cliníca de emagrecimento. Porque é impossível alguém gostar de tanto açúcar e manteiga juntos. Eu que sou gulosa, admito que esta receita não das mais saudáveis e o resultado final só me convenceu, porque não ficaram os ditos bolinhos tão peganhentos como deveriam.

Deixo a receita tal qual nos foi fornecida no grupo, mencionando no final onde "meti a pata".


Pecan Honey Sticky Buns
(receita retirada do livro Baking pag.51 de Dorie Greenspan)
(tradução de Susana Figueiredo)





Ingredientes:

Para a cobertura:
- 1 chávena rasa de açúcar amarelo
- 120 gramas de manteiga sem sal, cortada em 4 edaço
- 60 ml de mel
- 100 gramas pecans (inteiras ou em pedaços)(usei nozes normais tostadas)


Para o recheio:
- 1/4 chávena de açúcar branco
- 3 colheres de sopa rasas de açúcar amarelo
- 1 colher de sopa de canela moída
- 45 gramas de manteiga sem sal à temperatura ambiente


Para os pães:
- 1/2 receita de Golden Brioche Loaves (ver em baixo), refrigerada e pronta a moldar (a Dorie sugere que se faça a receita na totalidade e que se corte metade da massa após refrigerar durante a noite)


Execução:

Para a cobertura
Num tacho com fundo pesado, ferver o açúcar, a manteiga e o mel em lume médio-baixo, mexendo frequentemente para derreter o açúcar. Deitar no pirex já untado, espalhando o melhor possível com uma espátula. Polvilhar com as pecans.


Para o recheio:
Misturar os açúcares e a canela numa taça. Noutra taça, trabalhar a manteiga com uma espátula até estar suave, macia e fácil de espalhar.

Para os pães:
Untar generosamente um tabuleiro ou pirex de 23x33 cm.

Numa superfície enfarinhada, esticar a massa fria num quadrado com 40 cm de lado. Com os dedos ou um pincel, espalhar a manteiga sobre a massa. Polvilhar com a mistura de açúcar e canela, deixando uma faixa vazia com cerca de 2,5 cm no extremo mais longínquo da massa. Começando pelo lado mais próximo, enrolar a massa como se fosse um cilindro, mantendo-a o mais apertada possível (neste ponto, pode ser congelada durante 2 meses). 

Usando uma faca, cortar um pouco das extremidades do rolo para acertar e cortar o tronco em pedaços de 2,5 cm, o que deverá render entre 15 e 16 pães. Dispor no tabuleiro com um dos lados cortads para baixo e deixando espaço entre eles.
Cobrir com papel vegetal e deixar repousar num sítio morno até massa ter duplicado de volume (cercade 1h45m). Os pães deverão ficar grandes e a tocar uns nos outros.

Para cozinhar:
Centrar uma grade no forno e pré-aquecê-lo a 190ºC. Remover o papel vegetal e levar ao forno por 30 minutos ou até estarem grandes e bem dourados. A cobertura estará a borbulhar por todo o lado. Retirar do forno e desenformar poucos minutos depois, com cuitado pois a cobertura irá estar muito quente.

Para a massa de brioche (usar metade da receita):
- 2 pacotes de fermento seco activo (11 gramas)
- 80 ml chávena de agua morna 
- 80 ml chávena de leite morno
- 470 gramas de farinha de trigo
- 2 colheres de chá de sal
- 3 ovos grandes, à temperatura ambiente
- 50 gramas de açúcar (usei 150 gramas porque a primeira versão partilhada no grupo, tinha este pequeno lapso, que os tornou ainda mais docinhos)
- 340 gr de manteiga sem sal, à temperatura ambiente mas um pouco firme

Colocar o fermento, água e leite na taça da batedeira e, usando uma colher de pau, mexer até o fermento dissolver. Adicionar a farinha e o sal e colocar a batedeira com o gancho de massa. Convém cobrir com uma toalha de cozinha para a farinha não sair para fora.

Ligar a batedeira numa velocidade bastante reduzida, se for preciso ir parando a batedeira até a farinha estar misturada; depois pode-se retirar a toalha e aumentar a velocidade para um nível médio/baixo durante 1 a 2 minutos, até a farinha estar bem incorporada. 

Nesta altura, a estará massa bastante seca, sendo conveniente ir rapando a taça com uma espátula para a massa ficar toda homogénea. Baixa-se a velocidade e adicionam-se os ovos, de seguida adiciona-se o açúcar. 

Aumentar a velocidade do misturador para médio e bater por cerca de 3 minutos, até que, a massa forme uma bola. Reduzir a velocidade ao ponto baixo e adicione a manteiga em pequenos pedaços (mais ou menos do tamanho de 2 colheres de sopa) batendo até que cada pedaço se incorpore na massa; só nessa altura se introduz o próximo pedaço, até acabar a manteiga.

Nesta altura a massa fica muito macia. Aumentar a velocidade para médio-alto e continuar a bater até a massa despegue dos lados da taça, durante cerca de 10 minutos. Mudar a massa para uma taça limpa, cobrir com película aderente e deixar à temperatura ambiente até dobrar o tamanho, o que será entre 40 a 60 minutos, dependendo da temperatura ambiente.

Tirar a massa da taça, levantando-a em torno das laterais e deixando-a cair com uma pancada ligeira na taça. Levar novamente à taça, cobrir com película aderente e colocar no frigorífico. Golpear a massa para baixo na taça a cada 30 minutos até que ela pare de crescer, o que demora cerca de 2 horas. De seguida deixar a massa tapada no frigorífico durante a noite.




Notas:
Como li a receita na diagonal, não dei conta que a cobertura se tinha que colocar no pirex ou tabuleiro, antes de colocar os rolinhos de brioche depois de formados. Quando dei conta que me tinha escapado este parágrafo da receita, era demasiado tarde porque já tinha levedado o tempo que pediam. Ainda assim coloquei um pouco de cobertura no reduzido espaço que havia.

Os restantes rolinhos foram assados numa forma multiple de muffins e assim que atingiram um tom dourado, retirei do forno.

A cobertura é demasiado doce. Torna aquilo que são uns bolinhos fofos e aromáticos nuns bolinhos demasiado peganhentos e maçudos.

Como disse anteriormente, ainda bem que me enganei. Porque prefiro os bolinhos simples, que empapados na cobertura.






Em resumo, prefiro-os apenas salpicados com a cobertura, sem exageros. A massa, que a Susana dizia que era temperamental, voltou a demonstrar que vale bem a pena o trabalho que dá.

O recheio esse, o típico de um cinamonn roll, e para mim são impossíveis de resistir.

Vocês resistiam?

domingo, 5 de abril de 2015

Em vez de um folar




Não sei muito bem como começar este post, e de uma coisa tenho a certeza, também não sei muito bem como o vou acabar. Vou pôr-me aqui a falar de tudo e de nada e quando der conta já vai a procissão no adro e eu sem falar de receitas! Tipíco né?

Segundo o calendário hoje é domingo de Páscoa. Por aqui é mais um domingo normal, de correrias loucas no trabalho e de chegar a casa super cansada. A única coisa que nos faz lembrar que estamos em dita festividade, foi a música dos sinos da igreja... Sim, sim... Música, porque a igreja não tem sino, como tal o som é emitido por altifalantes. Não procurem explicações, é a Sibéria.

Não que seja muito apegada a estas coisas da Páscoa, mas tenho guardados na memória outros domingos como este, em que me levavam para a aldeia, onde o dia de hoje era dia de festa. Ainda guardo os cheiros das ruas enfeitadas com rosmaninho e alecrim, e o som que entoava por cada ruela avisando da visita pascal. 

Coisas que não se esquecem e que nos põem com um sorriso nos lábios. Antes que me ponha sentimentalista, quero avisar que não vos trago um folar. Em vez disso, um Monkey Bundt Cake, para desta maneira "obedecer" ao pedido da BundtMania.

Já uma vez, fiz um bolinho destes. A primeira vez que o fiz, foi uma desgraça, mas da segunda foi o fim da macacada e acabou por sair o dito, em todo o seu esplendor e sabor.

Saltando às receitas correntes de Monkey Bread, resolvi experimentar uma que me chamou à atenção. O problema mesmo, foi quando decidi fazer a massa sem olhar para a dita receita e quando a tenho que escrever ter uma "branca mental" e não me lembrar do que lhe pûs... A idade começa a passar factura a estes meus despistes.

Mas que não se alastre o pânico, por no final, havia uma folha perdida, com as quantidade apontadas.









Estes últimos dias a Primavera deu sinais de vida pela Sibéria! Yupiiiiii!!! Há solllllll! Os dias são mais compridos e eu já tenho mais uns minutos de luz para poder fotografar. Ou seja que o fim da letargia, ou hibernação como lhe queiram chamar, tem os seus dias contados!

A receita original é feita com mirtilos. Não é muito fácil encontrá-los por aqui e quando se encontram são vendidos ao preço do ouro. Apesar de não os ter usado tal qual na receita, aproveitei-os para fotografar, porque simplesmente adoro as cores e o significado que me trazem os frutos vermelhos.


Monkey Bread Bundt Cake de Limão e Frutos Vermelhos
Receita adaptada daqui.







Para a massa:

Ingredientes:
- 1 ovo L
- 100 ml de leite gordo morno
- 60 gramas de açúcar
- 70 gramas de manteiga sem sal, derretida e fria
- 1 colher de chá de essência de limão
- 1 pacote de fermento de padeiro seco (5,5 gramas)
- 150 gramas de farinha de pão
- 300 gramas de farinha T55
- Doce de frutos vermelhos q.b.

Para "panar" as bolinhas:
- 100 gramas de manteiga sem sal derretida e fria
- 150 gramas de açúcar
- 1 colher de sopa de raspa de limão
Colocar o açucar numa taça juntamente com o limão e esfregar com as pontas dos dedos. Reservar.

Para a cobertura:
- 2 colheres de sopa de queijo creme (Philadelphia)
- 3 colheres de sopa de açúcar em pó
- 3 colheres de sopa de sumo de limão
Bater o queijo creme com o açúcar em pó. Adicionar o sumo de limão pouco a pouco, de modo a obter uma textura cremosa. Reservar.


Execução:

Pré activar o fermento, misturando-o com o leite e uma colher de sopa de açúcar. Deixar repousa até que tenha borbulhas.

Numa taça colocar o ovo e açúcar, batendo ligeiramente. Juntar a manteiga e seguidamente o leite com o fermento já activado. Misturar suavemente e juntar a essência de limão. Adicionar a farinha e envolver na mistura liquída, suavemente. Assim que começar a tender, amassar durante 10 minutos. Se ficar muito húmida a massa, juntar um pouco mais de farinha, para que permita sem amassada sem pegar nas mãos, mas que não fique muito seca.

Colocar numa taça untada com óleo e cubrir com película aderente e deixar levedar num local cálido ao abrigo de correntes de ar, até duplicar o volume. (aproximadamente 1h30)


Depois de levedar, retirar todo o ar da massa, pressionando com as mãos, sobre uma superfície enfarinhada.

Untar a forma de Bundt Cake com manteiga.

Dividir a massa em duas partes de mais ou menos, 330 gramas cada uma. Fazer um rolo e cortar em 16 partes, de 25 gramas aproximadamente cada um.

Amassar os pedaços de massa entre as palmas da mão dando a forma de uma bola. Em 16 dos pedaços colocar uma colher de chá de doce de frutos silvestres, fechando bem para evitar que se espalhe na cozedura.

Passar cada bolinha, com ou sem o recheio, na manteiga derretida e depois no açucar com o limão. O facto de o açucar ter sido aromatizado com o limão, vai humedecer o mesmo, sendo por isso necessário juntar um pouco mais de açúcar no final para terminar este processo.

Colocar as bolinhas na forma de Bundt Cake, alternadamente, para que as bolinhas que tenham doce não fiquem todas juntas.

Deixar levedar durante 1 hora num local cálido e sem correntes.

Pré aquecer o forno a 180ºC.

Depois de levedar levar ao forno durante aproximadamente 30 minutos ou quando apresente um tom dourado.

Retirar do forno e deixar arrefecer 5 minutos. Desenformar. 

Deixar arrefecer durante 1 hora e decorar com a cobertura. Deve servir-se morno.








Não se assustem com o prato vazio. É só para fazer bonito, né?

Como disse anteriormente esta receita chamou-me à atenção pelo facto de fugir a todas as que se encontram por aí. Normalmente aparecem quase todas com canela e esta é sem dúvida uma opção muito fresca, para quem gosta destes sabores tão primaverais.

Quando vi a foto da receita original, assustei-me com tanto vermelho. E pensei, não ponhas tanto doce. De modos que, pus apenas uma pequena quantidade, tendo chegado à conclusão que poderia ter posto um pouco mais. Ainda assim, o toque do limão, a ligeira acidez dos frutos vermelhos, e a cremosidade da cobertura, fazem com que este Bundt se coma a bocados. Sim, porque cortar uma fatia é impossível.







Assim sem cortar fatia, não sujam nenhum garfinho! E porque se deve servir morno? Porque assim estará super fofinho! Depois de frio o caramelo fica muito mais duro, e a textura da massa, tende a secar.

Não quero com isto dizer, que o bolo frio não presta! É muito bom, mas morninho, sabe a glória!

Dúvidas?

Boa Páscoa!