sexta-feira, 27 de março de 2015

Caramelooooo!



Na última quinzena do Dorie às Sextas não consegui participar. Li a receita e andei a pensar nela durante uns dias, mas depois varreu-se-me... E ainda por cima era um Bundt. Não tenho perdão... Ou melhor tenho... Eu gosto muito da Dorie, mas há aquelas receitas que não apelam ao meu lado mais guloso. Será porque era um Bundt e já não me rendo? Isto não pode acontecer, ai não pode não...


Seja com for, desta vez aconteceu! Ficou-me no esquecimento, mas quando me lembrar vou buscar a receita e experimento.


Ora para sair dos bolos e bolinhos, esta quinzena a receita é de comer à colher! E acreditem que cada colherada vale a pena.


É um pudim de caramelo, se é que lhe podemos chamar assim. Eu chamo-lhe tentação, porque estes pudinzinhos são de bradar aos céus.


A receita chamou-me à atenção pelo modo de execução e fiquei a matutar naquilo. Uma base de caramelo, que é feita acrescentando pequenas quantidades de açúcar. Eu que sempre faço o caramelo de uma vez, não entendia. Ainda assim fiquei sem descobrir o porquê desta maneira de fazer caramelo, visto que decidi fazer só metade da receita! (Erro grandioso, porque quando se acaba um pudinzinho, já temos vontade de comer outro!) 


Deixo-vos a receita completa, apesar de ter feito só metade.... Ai se o arrependimento matasse!










Pudim de Caramelo (Caramel Pots de Crème)
(receita do livro Baking, de Dorie Greenspan, pág. 388)
Tradução: Susana Figueiredo


Ingredientes:
- 500 ml de natas MG>35%

- 250 ml leite gordo
- 150 gramas de açúcar
- 2 ovos grandes
- 5 gemas de ovos grandes

Execução:

Centrar uma grade no forno e pré-aquecê-lo a 150º. Forrar um tabuleiro grande e alto com duas camadas de papel de cozinha. Colocar 8 taças de 120 ml no tabuleiro e ferver água numa chaleira.

Misturar as natas com o leite a aquecer no micro-ondas ou num tacho em lume médio. Reservar.

Medir 50 gramas de açúcar e reservar. 
Levar a lume médio-alto um tacho de tamanho médio e deitar duas colheres de sopa do restante açúcar. Quando começar a caramelizar, mexer e juntar mais duas colheres de açúcar, continuando a mexer até ficar escuro. 


Repetir o processo com o restante açúcar, juntando sempre 2 colheres de sopa de cada vez. Quando estiver escuro, da cor do mogno, juntar a mistura das natas com o leite. Cuidado, irá borbulhar e salpicar, mas é normal. Continuar a mexer até ficar suave. Retirar do lume.


Juntar numa taça os ovos, as gemas e o açúcar e bater com uma vara até ficar pálido e engrossar ligeiramente. Sem parar de bater, juntar um pouco do caramelo para aquecer os ovos de modo a não talharem. Continuar a bater e deitar lentamente o resto do caramelo. Retirar a espuma que se forma no cimo o creme e deitá-lo nas taças.
Encher o tabuleiro com água quente até subir a metade das taças. Cobrir o tabuleiro com película aderente, fazer dois furos nas extremidades da película e levar cuidadosamente ao forno.


Cozinhar entre 35 e 40 minutos, até escurecerem ligeiramente e abanarem apenas no centro. Retirar do forno e deixar arrefecer ainda na água durante 10 minutos. Retirar a película, tirar as taças da água e deixar arrefecer completamente.










Vou continuar a não perceber a diferença entre fazer um caramelo da maneira tradicional e, desta, em que vamos adicionando açúcar ao processo de caramelização. Ao fazer metade da receita, é mais complicado dar conta da diferença pela quantidade de açúcar que se usa, mas ainda assim tentei.


Eu e o caramelo só somos melhores amigos, depois de este estar feito! Enquanto o faço tenho muito respeito ao dito, visto já ter tido alguns altercatos com o mesmo. Mas ainda assim, faço e não lhe tenho medo! (risos) Porque afinal de contas, sou uma gulosa incorregível!








A Dorie diz que estes pudinzinhos não necessitam qualquer acompanhamento. Quizás uma pontinha de chantilly... Tenho que discordar com a Dorie... Não me apeteceu colocar o dito chantilly e, em lugar deste coloquei umas pitadinhas de flôr de sal.


Bem... Se era bom sem esta pitadinha, com ela, é qualquer coisa de muito indulgente. Desaparecem rapidamente a cada colherada, por isso usem uma pequenina, para se poderem deliciar mais tempo. (risos)


E como devia ter feito a receita na totalidade, agora vou ali repetir mais meia... (risos)!

quarta-feira, 25 de março de 2015

Primavera? Onde andas?



Con esta receta participo en el 2º Aniversario del Reto de Cocineros de del Mundo.


Ya no es la primera vez que participo en los retos. Desde los primordios del blog, que sempre que he podido he intentado participar. Me acuerdo incluso de la primera receta que hice y la ilusión que me ha hecho haber sido ganadora... Él tiempo no es mi mejor amigo, y las chicas, Victoria y la Eva, saben que siempre me voy peleando con él. Por eso y porque está de cumple, aquí estoy yo, con una receta muy sencilla, pero que pide a gritos que llegue la Primavera!


Chicas, FELICIDADES!! Y enhorabuena por el trabajo que habéis hecho y espero que lo continuéis durante muchos más años! 







Voltemos ao português, porque o castelhano ainda me falta muitas vezes e, como não quero dar pontapés na gramática assim será muito mais fácil, né? Ainda que possa cometer alguns erros, porque isto de pensar em diferentes idiomas põe o Tico e o Teco em parafuso. Adiante... (risos)


Há muito tempo atrás, isto quase parece a um conto para crianças, quando criei este blog, descobri a comunidade do Google+ com o nome Cocineros del Mundo. Cada mês criavam um desafio e eu sempre que podia participava.  As coisas foram-se complicando e os miúdos foram crescendo, obrigando que o tempo que dispensava a este cantinho ficasse muito mais reduzido que aquilo que eu gostaria.

Por esse motivo e porque a comunidade está de parabéns, aqui estou eu numa tentativa de chamar a Primavera. Sim porque eu não sei muito bem onde anda, porque a visão da minha janela, é muito branca.... Vou colar umas flores para me animar a vista!! (risos).


Ora o desafio é criar receitas que anunciem a Primavera. Pois bem... Flores não há por estes lados, e a única coisa que me faz lembrar a Primavera, é mesmo ver a zona das frutarias apinhadas de morangos. 

Já andava com a receita acomodada na minha memória há uns tempos, mais precisamente desde que às minhas mãos veio parar um livro de receitas oferecido por uma marca de massa folhada e afins... 

Não usei a massa folhada, não fiz a tarte que sugeriam e como já é hábito em mim, compliquei uma coisa simples! Já é defeito, que lhe vou fazer? E não me posso contrariar que fico rabugenta... (risos).

Troquei a massa folhada por massa filo e em lugar da tarte fiz uns canudos com a dita, recheando com um Chiboust de Mangericão.







O Chiboust é uma preparação muito comum na pastelaria francesa. Descobri-o por primeira vez num programa que havia num canal espanhol e fiquei com aquilo na cabeça de um lado para o outro. Trata-se pois de uma creme pasteleiro, ao qual se adiciona um merengue para dar alguma estabilidade.


Ora como eu sou uma naba com os merengues, decidi fazer a mesma coisa e substituir o merengue, por natas batidas, para aligeirar o creme pasteleiro. O contraste com o couli de frutos vermelhos é simplesmente delicioso, e agora que tenho brinquedo novo na cozinha, já não me importo de por coulis em todo o lado.


São umas colheres muito originais e que foram criadas por um chefe pasteleiro. Chamam-se Déco Spoons e são de facto uma maravilha... Bem depois de ver os vídeos de gente que sabe usá-las, podem fazer-se obras de arte. Eu fico pelos gatafunhos e desenhos abstractos!


O resultado de tudo isto? Uma nuvem de aromas frescos e perfumados.




Canudos de Massa Filo com Chiboust de Mangericão






Ingredientes:

- Massa filo q.b (ou um rolo de massa folhada de compra)
- Manteiga derretida e fria


Para o Chibouste de Mangericão:

- 500 ml de leite gordo
- 2 gemas
- 30 gramas de farinha de trigo
- 20 gramas de amido de milho (Maizena)
- 80 gramas de açucar
- 20 folhas de mangericão (usei duas colheres de sopa de folhas picadas congeladas)
- 250 ml de natas MG=35% + 1 colher de açucar em pó
- Coulis de Frutos Vermelhos
( Para fazer um coulis, colocamos os frutos vermelhos num recipiente, mais ou menos 100 gramas, juntamos 50 gramas de açucar, um pouco de água e um pouco de sumo de limão. Levamos ao lume, ou ao microondas e deixamos ferver durante aproximadamente 5 minutos, Trituramos e coamos. Deixamos arrefecer. Se a textura for muito espessa, juntar um pouco de água.)


Execução:

Aquecer o leite juntamente com o mangericão. Deixar infusionar enquanto arrefece e coar.

Misturar o açucar com as farinhas e juntar as gemas de ovo e bater bem. Adicionar o leite e mexer lentamente, sem bater. Colocar num tacho e levar ao lume, mexendo sempre, Deixar que ferva e assim que tenha engrossado (ao passar a colher de pau, deixa um rasto no fundo do tacho), retirar e deixar arrefecer como minímo 3 horas.

Depois de frio e justo antes de rechear os canudos, ou a tarte, bater em chantilly a nata e envolver suavemente neste creme. Para rechear os canudos usar o saco pasteleiro usando um bico da nossa preferência.


Para fazer os canudos de massa filo, untar uma folha de massa com manteiga e dobrar ao meio. Normalmente o tamanho é de uma folha A4. Voltar a pincelar com manteiga e dobrar ao meio, formando um rectângulo mais pequeno.

Cortar este rectangulo em tiras de 3 cm de largura, aproximadamente, e enrolar sobre os tubos de pastelaria. Levar ao forno a 180ºC, em posição vertical, até que estejam dourados.

Retirar do forno com cuidado e deixar arrefecer. Depois de frios, rechear com o Chiboust e decorar com morangos e acompanhar de Coulis.

*Nota da Mamã: A receita original é uma tarte de creme de pasteleiro de mangericão e morangos. Para isso só há que cozer um rolo de massa folhada a branco e depois de frio rechear com o creme pasteleiro. Decorar com morangos e polvilhar com açúcar em pó.







Admito que sou um bocadinho trapalhona, mas a massa filo é a culpada, porque é muito complicadinha de trabalhar. A minha ideia inicial era fazer uns cones, mas aquilo ficou apresentável. Acabaram por ser canudinhos que se mantiveram direitinhos para apresentação. 


O creme de pasteleiro com mangericão é simplesmente delicioso. Achei que simples era um pouco massudo, mas o resultado melhora quando adicionamos as natas batidas. Parece uma nuvem de aromas frescos e perfumados!


Enquanto preparava as fotos, só ouvia a minha filha: Uau Mãe, que giro! Ou seja, prova superada!
Agora só falta mesmo superar mais uma e com ela esperar que a Primavera chegue!


Se a virem por aí, digam-lhe que passe por aqui também!